Análise de My Hero Academia: All’s Justice

Bonito, cheio de personagem… mas raso, repetitivo e mal resolvido.

Quando anunciaram My Hero Academia: All’s Justice, a promessa era clara: finalmente o jogo que ia ser a “versão definitiva” da franquia nos arena fighters. E, sendo bem honesto, na primeira olhada ele realmente passa essa sensação.

Elenco gigante, apresentação bonita, vários modos, uma campanha mais cinematográfica… tudo parece gritar “agora vai”.

O problema é que, jogando de verdade, a experiência é bem mais inconsistente do que parece.

O jogo tem seus momentos, tem fanservice forte e dá pra se divertir sim, principalmente se você for fã do anime. Mas ele também sofre com decisões estranhas em quase tudo: combate que cansa rápido, conteúdo extra sem graça, online fraco e uma estrutura que parece mais preocupada em “encher o pacote” do que em entregar algo realmente bem feito.

Elenco e visual: o ponto mais forte

Se tem uma área onde All’s Justice acerta com vontade, é no que mais importa pra fã: conteúdo.

O jogo vem com 68 personagens jogáveis, misturando alunos da U.A., heróis profissionais e vilões. É aquele tipo de elenco que faz você abrir a seleção e pensar: “ok, isso aqui é muito My Hero”.

E visualmente ele também manda bem. Os modelos são fiéis, os efeitos das Individualidades são chamativos e o jogo consegue capturar bem a identidade do anime. Não é nada revolucionário pra indústria, mas é um salto perceptível em relação ao One’s Justice 2.

Gameplay: funciona, mas é simples demais pro tamanho do jogo

No controle, o jogo é bem fluido. Ele responde bem, é fácil de entender e dá pra entrar no ritmo rápido. E isso é ótimo, principalmente pra quem não quer ficar estudando mecânica por horas.

Só que a questão é: ele para por aí.

O sistema de combate é bem limitado. Você tem ataques padrão, duas Individualidades como especiais, corrida e esquiva, bloqueio e contra-ataque, além de uma barra de aumento de poder que melhora ataques por um tempo.

Mas essa barra não muda a partida de verdade. Ela parece mais um bônus do que uma mecânica que realmente adiciona profundidade.

O jogo ainda oferece dois estilos de controle:

– Normal: mais acessível e com sequências automáticas

– Manual: Recomendado para aqueles que querem fazer combos por conta própria

Só que mesmo assim, depois de algumas horas, a sensação é a mesma: as lutas começam a se repetir cedo demais. E isso pesa, porque o jogo te coloca em combate o tempo inteiro… mas não entrega variedade suficiente no sistema pra sustentar tanta luta sem cansar.

Dificuldade: existe, mas quase não faz diferença

O jogo até tem opções de dificuldade em alguns modos, mas no modo história você não pode escolher, o que já é um ponto bem negativo.
E nos modos em que dá pra ajustar, sinceramente? Parece placebo. Dá pra colocar no máximo e ainda assim a maioria das lutas continua tranquila demais.
Isso tira o impacto de confrontos que deveriam ser grandes momentos, porque você raramente sente que precisa jogar bem de verdade pra vencer.
A única hora em que eu realmente senti um desafio foi no boss final.
Só que não foi aquele desafio “bem construído”. Foi mais aquele tipo de dificuldade exagerada, cansativa e frustrante… como se o jogo percebesse que estava fácil demais e resolvesse compensar jogando um pico absurdo no final.

Modo História: foi o que eu mais aproveitei, mas tem falhas grandes

Mesmo com todos os problemas, o modo história foi a parte que eu mais gostei, principalmente porque ele tenta fazer algo diferente do padrão. A campanha funciona como uma linha do tempo e vai alternando a perspectiva entre vários personagens, incluindo Uraraka, Bakugou, Midoriya, Todoroki, Endeavor, All Might e Shigaraki. Isso dá variedade e ajuda a manter o interesse. E sim: finalmente temos mais cinemáticas do que nos jogos anteriores. Tem cenas in-game bem feitas e CGIs de ótima qualidade. Só que a execução é irregular. A campanha às vezes fica confusa porque o jogo troca de contexto rápido demais, pula entre eventos sem respiro e não dá tempo de construir tensão. Se você não estiver com o anime bem fresco na cabeça, é bem fácil se perder. E tem um problema ainda mais pesado: várias cenas que deveriam ser cutscenes acabam virando um slideshow com imagens do anime, com pouca ou nenhuma movimentação. Isso quebra totalmente a imersão, principalmente quando acontece logo depois de uma cena super bem produzida.

“Mundo aberto”: uma ideia que vira obrigação (e é fraca)

Uma das novidades é uma área explorável que o jogo tenta vender como algo mais livre, quase um “mundo aberto simplificado”.

Mas… essa é facilmente uma das partes mais fracas do jogo

As missões são repetitivas, sem criatividade, com objetivos bem “preguiçosos” e recompensas que não justificam o tempo investido. E o pior: o jogo empurra isso no jogador, porque algumas progressões e modos (como o Archive Mode) acabam exigindo esse conteúdo.

Ou seja: não é um extra opcional. É um modo fraco que vira requisito.

Customização: pior do que nos jogos antigos

A customização também decepciona.

Comparado ao One’s Justice 1 e 2, esse jogo parece ter regredido. Muitos personagens não têm roupas alternativas de verdade, só variações de cor. Existem trajes novos sim mas em quantidade bem menor do que o esperado.

E considerando o tamanho do elenco, o sistema de customização fica com cara de incompleto.

Online: inconsistente e difícil de aproveitar

O online não ajuda muito.
Foi difícil encontrar partidas ranqueadas e até salas normais. A sensação é de um modo mal estruturado, ou que já está sofrendo com falta de jogadores e matchmaking ruim.
A parte “menos pior” é que, com sorte, dá pra achar algumas partidas no não ranqueado… mas isso depende mais do acaso do que de um sistema eficiente.

Personagens que eu mais curti jogar

Mesmo com tudo isso, alguns personagens são realmente divertidos. Meus favoritos foram:

  • Kirishima
  • All Might
  • Todoroki

E apesar de arena fighter sempre ter o risco de ter personagem quebrado, eu não senti isso tão forte no online. Pelo menos nas partidas que consegui jogar. Não parecia ter um “dominante absoluto” estragando tudo.

My Hero Academia: One's Justice

No fim, My Hero Academia: All’s Justice é aquele tipo de jogo que impressiona no começo… mas perde força rápido.

Ele é bonito, tem elenco enorme e algumas cinemáticas excelentes. Só que quando você vai além do fanservice, aparecem os problemas: combate raso, repetição, modo história mal organizado em vários trechos, dificuldade sem impacto, conteúdo extra fraco e um online pouco confiável.

Eu recomendo principalmente pra quem é muito fã de Boku no Hero — e mesmo assim, com expectativas bem controladas.

Pra quem gosta de arena fighter no geral, ele fica abaixo de jogos como Naruto Storm 4 e até Demon Slayer: Hinokami Chronicles.

E sendo bem sincero: vale muito mais esperar uma promoção do que pagar preço cheio.

5